June 07, 2009

Palavras e Coisas


Aconteceu um dia a palavra não estar mais presa à coisa. Tornou-se livre e começou a significar o que bem entendesse. Agora poderia ser usada para designar aquilo que o desejo pudesse alcançar. A palavra abundância, por exemplo, passou a designar a mais absoluta falta de qualquer cois. E também começaram a faltar letras nas palvras. Mas ainda assim, segundo os linguistas e estudiosos da onomástica, o fenômeno não era recente e qualquer alteração grave de sentido provocado pelas mudanças, deveria ser visto com cautela.

Os sentidos das palavras lentamente foram estabilizando e só algumas poucas ainda causavam problemas. Aquelas de uso imediato como mesas, automóveis, bolsa de valores, alfinetes, mundo corporativo e todas essas coisas do mundo real voltaram aos seus sentidos originais.

As palavras são palavras e as coisas são outras coisas diferentes das palavras.
Existem as palavras, as coisas e a mentira. Esta última é quem permite dizer que nem sempre as palavras são as coisas.

As coisas são mais importantes que as palavras. Os argumentos mais poderosos são os construidos com coisas. O carro, o jardim, os jantares e as viagens. A mesa posta e a neve deslizando pelo vidro que reflete chamas de felicidade de uma provável lareira.

As palavras são piegas relvas de desejos e ventos uivantes e lentos ou dourados de um entardecer com luz de velas e vinho e uma revista bem ilustrada com entrevista fundamental de filósofo contemporâneo mas pouco conhecido. uma troca de olhar em cada nova esquina da cidade que se revela autônoma aos meus desejos e aos desejos do leitor que deve procurar um capuccino dourado e dormir.

Está bem, mas o que quer dizer tudo isso? Esse jorro de palavras que aparentemente é só um jorro de absoluto non sense?

No princípio era o verbo, mas hoje, onde estão as coisas, as únicas que podem nos salvar?