October 16, 2009

Romance


Queria que ela vestisse para mim as calcinhas que comprei para ela.

Fiz um composição com cores puras e serenas. Criei um dispositivo para que a intensidade da luz mudasse ao longo do tempo em que ficaríamos juntos. O tempo que ela ia tirando as calcinhas que comprei para ela.

Ela gostava de ficar bonita para mim. Disse isso muitas vezes e eu via quanto, a cada dia, ela ficava sempre mais bonita. Ela era a festa dos meus olhos.

Com ela aprendi a amar. Fodíamos! Eu acordava bem cedo para limpar a casa esperando sua chegada. Não deixava a presença de qualquer vestígio de dedo nos vidros da janela ou sujeiras ocultas no tapete.

Combinei tudo para que houvesse harmonia entre sons, perfumes e cores. As gérberas, iluminadas pela luz que vinha da janela do banheiro, coloriam o corredor. Essas imagens foram ganhando cada vez mais um colorido e surrealismo photoshopico e, ainda hoje, restam algumas por aí.

Depois da casa limpa e do banho, descia para a padaria da esquina. era lá que eu via o mundo dos homens. o ônibus, o ponto de taxi, a banca de revista e o cheiro do café. Trabalhadores da construção civil, do serviço doméstico e todos aqueles de renda mais baixa frequentavam a espelumca do bar restaurante que ficava do outro lado da rua.

Pensei em escrever um romance, até descobrir que a coisa mais ridícula que alguém pode dizer e pensar é em escrever um romance. Depois de anos de vida num trabalho medíocre o sujeito acha que pode e deve escrever um romance.

Escrever um romance para que, contar o que? Talvez só para contar e lembrar aquela luz iluminado o quadro e o vaso com gérberas vermelhas, laranja e amarelas, no chão do corredor. Fui ao photoshop ampliar o ambiente do quarto. Eliminei a parede e construi a imagem da montanha, soberba sobre o mar. Imagens e algo mais.